Akamago Nagato

No Japão a moda é parecer uma boneca viva

Posted on: 1 de novembro de 2010

No Japão a moda é parecer uma boneca viva

 

A matéria do Herald Tribune está traduzida no site da UOL. Eu realmente não acompanho esses modismos japoneses e considero muito bizarro desejar parecer algo que é morto, inanimado, enfim, um objeto que não fala, não pensa, não se expressa. Uma das moças chega a dizer que “Gosto quando tudo em mim parece artificial”. Pois bem, me parece, portanto muito saudável quando a mesma moça diz que“O triste em ser uma Ageha é que a maioria dos homens preferem mulheres com aparência mais natural e nós não gostamos nada disso.”. Deveriam parar para refletir sobre a artificialidade, a ditadura da moda e o consumismo, já que sua condição não lhes parece feliz. Mas, como tudo no Japão, a moda das Midori e Ageha, variações das bonecas humanas, deve durar pouco. 

Um aspecto cuioso do texto é ressaltar que as japonesas normalmente não buscam a cirurgia plástica, mas a transformação pelos cosméticos, acessórios, enfim, algo que as torne únicas – em uma cultura que tradicionalmente que as pressiona para a conformação – diferentes das demais. Daí, é preciso lembrar que etnicamente o povo japonês é bem mais homogêneo que o de muitos países, então, se diferenciar é tentar fugir dessa sensação de ser igual ao outro. Mas não devemos esquecer das questões de gênero envolvidas, toda essa insatisfação, busca pela beleza artificial, negação da sexualidade, é sintomático de uma condição feminina que se apresenta como incompleta e angustiante. Mas leiam o texto e tirem as conclusões de vocês. Aliás, lembrem-se que nenhum texto representa “a verdade” ou é “neutro” em relação ao seu objeto. Para terminar, sugiro a visita ao site Bella Sugar e a página da grife favorita das moças aJesus Diamante. É possível ver o que as Midori e Ageha devem usar no Japão.


Jovens japonesas inovam no estilo e estão cada vez mais parecidas com bonecas vivas 

Kaori Shoji
Em Tóquio

No Ocidente, um julgamento um tanto quanto condescendente sobre as mulheres japonesas há tempos é o de que elas são muito submissas e parecidas com bonecas. Durante quase uma década, a mídia japonesa incentivou as mulheres a lutarem contra essa imagem, endurecendo e se emancipando.

No ano passado, entretanto, esse tipo de conversa recebeu cada vez menos atenção entre algumas jovens que na verdade querem se parecer com bonecas.

Elas estão divididas em dois gêneros diferentes: as cada vez mais populares “Mori”, ou garotas da floresta, e as “Ageha”, ou garotas-borboleta. As garotas da floresta usam camadas de vestidos finos de algodão, meias grossas e botas, maquiagem despretensiosa e bolsas de tecido, com a intenção de parecer com uma boneca feita a mão de algum cenário romântico da Floresta Negra.

As garotas da floresta surgiram a princípio sem chamar muita atenção na cena cultural pop de Tóquio na última primavera, embora de primeira fosse difícil distingui-las das garotas eco, vestidas de forma parecida. Mas à medida que os meses passaram as diferenças se tornaram claras. As garotas da floresta querem ser discretas e suprimir toda a sexualidade, enquanto as garotas eco são naturais, esportistas, apoiam políticas ambientais consistentes e têm uma dose saudável de sensualidade.

Midori Yokokawa, editora da revista de moda “Forest Girl”, que foi lançada em outubro para acompanhar esse novo fenômeno, diz: “As garotas da floresta são cautelosas em relação a todos os tipos de agressividade ou autoconfiança. Elas são apenas muito frágeis, ou gostariam de ser dessa forma.

“Elas querem viver o suficiente para existir, preferencialmente num nível metafísico.”

As Ageha, ou garotas-borboleta, começaram a aparecer em 2008 e mostram uma desconfiança similar do mundo real. Seu objetivo é parecer o máximo possível com as bonecas infláveis que os homens compram online, mas com uma maquiagem extravagante.

Naoko Kamiyuo, 19, que vive para comprar cosméticos, roupas e acessórios de cabelo, diz: “Não sou muito bonita, mas adoro me montar. Quero mudar a mim mesma, ser irreconhecível. Quem quer passar pela vida sendo apenas ela mesma?”

Os pais dela primeiro imploraram para que ela “voltasse ao normal”, mas agora eles a deixam em paz para seguir seus sonhos de boneca Barbie.

“Fico entediada quando não estou montada”, diz Naoko. Ela acorda às 5 da manhã e passa pelo menos duas horas colocando cílios postiços, extensões de cabelo, camadas de base e outros complicados procedimentos de maquiagem.

Como a maioria das mulheres japonesas, as imitadoras de boneca não recorrem à cirurgia plástica.

De acordo com a jornalista de cosméticos e beleza Yuko Ito: “A mulher japonesa tem um certo medo de entrar na faca. Elas acham que é um pecado contra seus pais. É por isso que elas preferem optar por cosméticos e roupas dramáticas. Esta também é a razão por trás da impressionante variedade de cosméticos disponível neste país”.

Ito tem razão. A gigante dos cosméticos Kanebo lançou um rímel de alta tecnologia que na verdade faz com que os cílios fiquem mais longos (mesmo que apenas por algumas horas), e a Shiseido há muito vende produtos para clarear a pele das japonesas o máximo possível, como marfim.

“A mulher japonesa não está interessada em qualquer produto de maquiagem”, diz Ito. “Elas querem melhorar a sua aparência e ao mesmo tempo tratar e clarear sua pele, alongar os cílios, encher os lábios, etc.”

Mas não são só os cosméticos que produzem a aparência. As roupas também importam.

“Gosto quando tudo em mim parece artificial”, diz Kiyomi, 23, que gosta de comprar suas roupas na Jesus Diamante, uma boutique especializada no visual Ageha.

Kiyomi diz que ela nunca sai de casa a menos que esteja usando tamancos decorados com botões de rosas, seu cabelo tingido de loiro penteado em cachos rococó ao redor do rosto, e os seios aumentados por espessos enchimentos de gel dentro do sutiã.

Apesar de tudo isso, entretanto, Kiyomi não tem um namorado e passa suas noites livres trocando informações de moda com um círculo de amigas Ageha.

“Adoro sair com rapazes, mas raramente tenho uma oportunidade”, suspira. “O triste em ser uma Ageha é que a maioria dos homens preferem mulheres com aparência mais natural e nós não gostamos nada disso.”

Este parece ser o lado ruim das garotas que querem ser bonecas: poucos homens de fato estão dispostos a bater em suas portas. Tanto as Moris quanto as Agehas continuam sendo minoria, “cults” demais para os homens leigos entenderem, e tecnicamente difíceis de acompanhar. Consequentemente, elas têm em torno de si um ar de sociedade secreta.

Na Jesus Diamante, onde a lingerie rendada é exposta sobre uma cama cor-de-rosa, tirar foto de qualquer coisa, incluindo da equipe de vendedoras vestidas de forma extravagante, é um tabu.

“Faz sentido”, diz Kiyomi. “As bonecas não deveriam precisar falar, muito menos explicar qualquer coisa.”

Tradução: Eloise De Vylder

Gótica, lolita e fofa

 

Houve matéria na Globo esses dias entrevistando essa moça. Eu gravei, mas ainda não coloquei no Youtube. Devo fazer nos próximos dias. Só achei curioso como dois fetiches se encontram. além de gothic lolita, a moça ainda é enfermeira… A matéria veio da Folha de São Paulo.

Gótica, lolita e fofa 

Embaixadora pop japonesa diz querer ser como uma princesa

Diogo Bercito
Da Reportagem Local

“Não sei se vocês sabem, mas a embaixadora só trouxe seis vestidos na bagagem, por conta do limite de peso.”

O aviso é dado com tom de pêsames pela tradutora de Misako Aoki, 23, durante a tarde em que a garota conversou com jornalistas brasileiros, em meio a sua turnê pelo país -com aparições em SP, Rio, em Recife e, no dia 2, em Brasília. É que as roupas bonitinhas são fundamentais para a missão diplomática de Aoki: divulgar o estilo “kawaii” -meigo, em japonês- mundo afora.

São três as embaixadoras incumbidas em fevereiro pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão de espalhar a moda desse país. Foram escolhidas a dedo, por já serem famosas em suas áreas. Uma delas vai promover o estilo de vestir-se como uma estudante colegial. Outra propagará a moda de Harajuku, bairro “fashionista” de Tóquio, marcada por cores berrantes.

Para Aoki ficou o encargo de mostrar ao mundo a tendência “gothic lolita” – doçura, inocência e roupas da Era Vitoriana (século 19, na Inglaterra). Em entrevista à Folha, a garota resume suas motivações. “Penso em me tornar uma princesa, uma boneca. Para isso, preciso ter as unhas, a maquiagem e o comportamento de uma princesa.”

É como uma princesa – mas mais como uma boneca – que Aoki se porta durante a entrevista. Fica sentada imóvel, movendo apenas os olhos de um lado para o outro. Quando dá raras risadas, cobre a boca com delicadeza de gueixa. Quanto ao enxoval restrito de sua visita ao Brasil, faz questão de enfatizar que é circunstancial. “Meu armário está lotado de vestidos, não faço idéia de quantos eu tenho. Gasto todo o meu salário em roupas.”

Além de modelo, Aoki é enfermeira, no Japão. E pretende manter as duas carreiras. “São trabalhos femininos”, explica.

Pesquisador e modelo japonesa vêm ao Brasil divulgar cultura pop nipônica

Alguém já tinha avisado aqui no blog (*desculpe, eu perdi o comentário, não cosnegui encontrar mesmo*) do evento na UnB hoje, agora, a Karolyne Godoy me passou o link do Correio Braziliense com maiores informações sobre a presença de Misako Aoki em Brasília e do pesquisador Takamasa Sakurai. Vou ver se consigo assistir os dois.

O pesquisador Takamasa Sakurai e a modelo Misako Aoki estão no Brasil para divulgar a cultura do Japão 

Pedro Brandt
Publicação: 02/12/2009 08:10 Atualização: 02/12/2009 01:36

Já não é de hoje que as histórias em quadrinhos e os desenhos animados japoneses encontram fãs em outros países. Atualmente, o fascínio pela cultura pop nipônica no exterior – em especial, pelo público jovem – é tamanho que virou assunto de interesse do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão. Desde a semana passada, dois representantes diplomáticos japoneses têm viajado pelo Brasil para divulgar essa produção. Takamasa Sakurai e Misako Aoki chegaram ontem a Brasília para uma série de compromissos.

Misako Aoki, 24 anos, foi nomeada pelo ministério como embaixadora Kawaii. A expressão vem de uma palavra antiga que denota fofura, meiguice. Modelo, atriz e enfermeira, a moça é representante de uma maneira de se vestir conhecida como lolita fashion. Mas, ao contrário do que o nome sugere – garotas precocemente sexualizadas -, essas novas lolitas se inspiram nos vestidos cheios de babados da aristocracia europeia do século 19. São meninas recatadas, com aparência de boneca de louça.

A moda lolita fashion, ainda que incipiente fora do Japão, já encontra adeptas pelo mundo. Pesquisador da cultura pop japonesa, Takamasa Sakurai é integranteda Comissão Intelectual das Relações Diplomáticas da Cultura Anime do Ministério dos Negócios do Japão e está no Brasil com o propósito de conhecer como pensa o público brasileiro em relaciona à cultura nipônica. Segundo ele, a moda lolita ainda segue um mesmo padrão em todos os países, sem diferenças substanciais entre as culturas que adotam o estilo. “Pelo que tenho visto nesses dias no Brasil, as garotas são muito bonitas e parecem ter um forte conteúdo humano também. Além disso, são aplicadas. Estudam muito em sites e revistas especializadas”, comentou.

Sobre a embaixadora Kawaii, Sakurai explica que não é simplesmente uma modelo que personaliza o estilo lolita fashion: “Ela faz isso com originalidade e personalidade. A natureza de seu trabalho é a de uma promotora cultural através da sua atuação por meio de uma arte performática original”.

Hoje, Sakurai ministrará a palestra O segredo do anime japonês antes da exibição do longa-metragem Summer wars, produção que conseguiu estrondoso sucesso perante ao público e crítica no verão japonês deste ano. Corruptela de animation, animação em inglês, os animes (ou animês, como também são chamados) são os desenhos animados japoneses. “Summer wars representa o atual nível da produção contemporânea dos animes”, conta Sakurai. “Trata-se de uma singular fantasia virtual sobre os laços familiares. Ideal para ser exibida pelo mundo em um esforço diplomático de demonstrar em que nível se encontra a produção desse tipo de material no Japão”, continua.

Ontem, Misako Aoki se encontrou com autoridades políticas brasileiras no Itamaraty e no Congresso. Amanhã à tarde, ela fará um desfile itinerante pelo ParkShopping acompanhada de lolitas fashion brasilienses.

O segredo do poder do anime japonês

Hoje, às 18h30, no Auditório Dois Candangos (UnB). Palestra com o pesquisador japonês Takamassa Sakurai seguida de exibição do longa de animação Summer wars (com áudio em japonês e legendas em inglês). Acesso livre. Amanhã, às 15h: desfile itinerante com Misako Aoki (Embaixadora Kawaii) no ParkShopping. Acesso livre.

Três perguntas // Takamasa Sakurai

É possível explicar esse interesse recente dos estrangeiros pela cultura pop japonesa?

Jovens do mundo inteiro dizem basicamente a mesma coisa: o que o Japão produz nessa área é muito singular. O volume e a diversidade de produção são incomparáveis.

Afinal, qual o segredo do poder dos animes?

Inicialmente, a vocação do anime era produzir conteúdo para o público infanto-juvenil. Os produtores reverteram esse padrão para um outro em que a criação das animações é motivada pelas inúmeras possibilidades de representações da expressão visual. A referência deslocou-se, portanto, da produção voltada a um público específico, para a busca de possibilidades de linguagens para a imagem animada.

O público brasileiro tem um grande interesse nos animes. No entanto, poucos longa-metragens de animação japonesa chegam aos cinemas brasileiros ou até mesmo às locadoras de DVD. Como se explica isso?

A questão é a criação de um cenário propício para a comercialização dos títulos e a criação de uma rota de distribuição bem definida, como a que existe entre a América do Norte e a Ásia ou entre a Europa e a Ásia. O estabelecimento de uma cadeia comercial e de distribuição sólidas é imprescindível para gerar a confiança necessária nos produtores e distribuidores, e assim possibilitar a expansão do mercado no Brasil.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: